Eu venho de um recanto escuro O Sol, luz perpendicular Do outro lado azul do muro Não vou saltar Eu chego às portas da cidade E nada procuro fazer Espero, nem feliz nem gaia Acontecer Não salto mas sou carregada Por asas que a gente não tem A luz não me fulmina os olhos Nem vejo bem Em breve só saio de noite A Lua não me rasga o peito Cool jazz me faz feliz e só Não tenho jeito O álcool só me faz chorar Convidam-me a mudar o mundo É fácil, nem tem que pensar Nem ver o fundo O chão da prisão militar Meu coração um fogareiro Foi só fazer pose e cantar Presa ao dinheiro Mas é sempre o recanto escuro Só Deus sabe o duro que eu dei Mulher, aos prazeres, futuro Eu me guardei Coisas sagradas permanecem Nem o Demo as pode abalar Espírito é o que enfim resulta De corpo, alma, feitos, cantar...